Visita de lideranças indígenas Sateré Mawé no Museu Amazônico
Durante a semana de 16 a 19 de janeiro de 2023, o Museu Amazônico da UFAM estará recebendo lideranças indígenas da etnia Sateré Mawé, localizada na região metropolitana de Manaus, com o objetivo de firmar a participação indígena nas práticas museais da instituição. As visitas fazem parte de uma das etapas do Projeto de Extensão FC – CR "Oficinas de Memória - edição Sateré-Mawé”, coordenado pela museóloga Lucimery Ribeiro, em parceria com a doutoranda em antropologia Lilian Débora Lima de Oliveira (PPGMS/UNIRIO).
Para a museóloga Lucimery Ribeiro, “O Museu Amazônico, como instituição inserida no contexto amazônico, detentora de coleções provenientes de diversos horizontes, inclusive dos povos indígenas que lutam por reconhecimento e que buscam seus direitos, vem passando por um processo de ressignificação de suas práticas.” Nesse sentido, de maneira específica, a parceria com o povo Sateré Mawé possibilitará:
- o acesso aos objetos salvaguardados no Museu por representantes dos seus povos originários;
- uma exposição que possibilite a inclusão das narrativas indígenas;
- ajustes documentais necessários dos objetos museológicos.
Com base nesses objetivos, serão realizadas oficinas de memórias com representantes da Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé- AMISM, com lideranças das comunidades Sahu-apé (KM 37- Estrada Manoel Urbano), Iápyrehyt (Bairro da Paz) e Gavião (Tarumã-açú). Nesse período, as atividades serão apenas para o público interno do Museu Amazônico. Contudo, contamos com a presença de todos para a exposição a ser organizada a partir dessas trocas de saberes, prevista para o final do mês de fevereiro.
Essa experiência possibilitará o planejamento de outros projetos no âmbito da Museologia Compartilhada, incluindo povos que estão representados no acervo etnográfico da instituição. Pretende-se incluir as vozes indígenas, muitas vezes silenciadas e invisibilizadas, na busca pela descolonização e decolonização das práticas museais.
Para a pesquisadora Lilian Débora Lima de Oliveira, que também pertence ao quadro de servidores do Museu Amazônico, essa experiência possibilita “conhecermos novas perspectivas, estar no papel de escutar o outro, sair do Museu para compreender outras realidades, compartilhar o espaço do Museu junto aos povos indígenas, porque o Museu também pertence a eles e a todos os seguimentos da sociedade.” Segundo o Diretor do Museu Amazônico, Dysson Teles Alves, está sendo um momento muito rico e de aprendizado para todos, pois nos permite perceber o processo de intervenção cultural que essas comunidades sofreram quando de sua integração social, no entanto também é possível perceber o quanto esses grupos permanecem lutando para manter viva sua herança cultural. Ações como esta do Museu Amazônico só vem ampliar nosso conhecimento sobre as comunidades indígenas e, sobretudo preservar suas tradições.

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